8.3.12

Ser mulher...

Neste dia dedicado a todas as mulheres! :)




Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!

Como sabes ser doce e desgraçada!

Como sabes fingir quando em teu peito...

A tua alma se estorce amargurada!


Quantas morrem saudosa duma imagem

Adorada que amaram doidamente!

Quantas e quantas almas endoidecem

Enquanto a boca rir alegremente!


Quanta paixão e amor às vezes têm

Sem nunca o confessarem a ninguém

Doce alma de dor e sofrimento!



Paixão que faria a felicidade.

Dum rei; amor de sonho e de saudade,

Que se esvai e que foge num lamento!





Florbela Espanca - Trocando olhares

24.2.12

Em quarentena...






Na impossibilidade de escrever aqui em quarta-feira de cinzas... venho hoje a este espaço. Hoje, primeira sexta-feira da quaresma, é um dia em que se fala de jejum, de peixe, abstinência, recolhimento...


Nos últimos dias fui abordando estes temas com várias pessoas, ouvi falar de quaresma, partilha de vivências e reflexões em tons de roxo.


Escutei que a quaresma é como um "estágio para o grandioso jogo da Ressurreição", que a "música pode ser a voz de Deus"... (Rão Kyao)


Num tempo que é pedido para olhar para o outro, ouvi falar de economia, sinónimo de lucro, e percebi "que é possivel ter lucro a olhar para o outro". (João César das Neves)



Este tempo forte também pode sublinhar o silêncio e o recolhimento, "numa sociedade tão ruidosa, é preciso ter tempo para parar e saborear o silêncio, o estar sossegada". Ler um bom livro ou simplesmente estar em silêncio para me conhecer a mim própria pode ser um desafio... (Alice Vieira)


A música está sempre presente na relação com Deus e o fado não pode deixar de percorrer este caminho... "Cantar o fado pode ser a minha missão... cantar sentimentos que chegam aos outros e lhes dizem alguma coisa, lhes tocam..." Eis outra forma de chegar ao outro. (Cuca Roseta)


O retiro e a contemplação podem tambem ser o caminho... "Apesar de cantar muito, na quaresma gosto de cantar com o coração". Será que somos capazes? (Frei Hermano da Câmara)


Vivências diferentes, conversas demoradas e que muito pude saborear... Em preparação para este tempo e já nos primeiros dias guardo cada minuto destas partilhas... Pessoas que acreditam no mesmo, vincam a alegria da Ressurreição e "dão a volta" a 40 dias de aproximação a Deus e aos outros...


Nesta 1ª sexta-feira fica aqui a reflexão... fica aqui o que me vai na alma e no coração acinzentado... Tantas dicas e partilhas de outros, tantas formas de viver, que eu, e cada um, consiga encontrar o melhor caminho até à Páscoa.

20.2.12

A bom ritmo

Depois de dias cheios eis-me aqui a escrever... Cheia de histórias e estórias para contar... em montanha russa contra o tempo mas cheia de tempo e intensidade de minutos recheados de nomes conhecidos...


Foi dia de São Valentim e os namorados fizeram-se notar... Eternos namorados todos aqueles que, casados ou não, conseguem viver o sentimento maior... Este meu dia iniciou de forma melódica com uma entrevista, que mais parecia uma conversa amistosa, com um músico e compositor português, Rao Kyao. O som da sua flauta pautou este dia que terminou em forma de Cupido!



E a semana não parou... Mais se seguiram que ficarão para novos posts... O fim de semana teve bom sabor e a serenidade desejada... E por estes dias de Carnaval resta a lembrança de dias de folia e o ritmo da música carnavalesca a soar a qualquer altura...



Sempre gostei de alegria e folia... Sempre gostei de me mascarar e dançar... Toda a mística de Carnaval que se vive em amizade nos deixam motivos para avançar todo o ano...


A música, o calor, as cores, as máscaras, o ambiente, os risos, os disfarces, as serpentinas e confettis, a pintura ou o adereço... Em "tempo de cabeças cabisbaixas" é bom esquecer tudo e soltar a gargalhada, a princesa, fada ou bruxa, arlequim ou palhaço que há em cada um de nós... nem que seja só 3 dias por ano... Like! :)


8.2.12

50 anos de história...

Navio-escola Sagres comemora hoje 50 anos ao serviço da Marinha portuguesa





O navio-escola Sagres comemora 50 anos ao serviço da Marinha portuguesa. A data vai ser assinalada com uma cerimónia presidida pelo ministro da Defesa. O navio, fundeado na Doca de Alcântara, em Lisboa, e aberto a visitas até dia 11.



Neste blog também já falei que fui umas das privilegiadas em navegar 165 milhas a bordo desta ''menina'', a Sagres... e é apaixonante!




3.2.12

5 meses...

Faz bem recordar e reviver... :)

27.1.12

Monjas, sabiam que existem?

A minha atividade é, sem dúvida, muitas vezes um privilégio! Não digo isto quando ando cheia de trabalho, horários para cumprir e conversas agendadas "para ontem"...


O privilégio é de me cruzar com pessoas tão diferentes, em diversos espaços, com boas conversas e vidas de testemunho, à medida de uma montanha russa...





Esta semana abriram-se os portões de uma comunidade de religiosas, as monjas dominicanas (http://www.monjasoplisboa.com), para eu respirar do ar que ali se vive... O portão encarnado esconde um páteo repleto de cores e sons. As flores garridas puxam-me o olhar e as abóboras espalhadas dão-me a mão até à infância...






Vidas simples mas repletas de interioridade... Por momentos pareceu-me estar a entrar num espaço de outro mundo, tão silencioso, mas em pleno coração da cidade.


De "outro mundo" também são as bolachinhas de aveia, de fabrico próprio, que, como diz a irmã que me recebeu, em jeito de brincadeira "pode provar porque os doces das irmãs não engordam"...






Doce de laranja ou de figo também é encontrado lá à venda e mesmo lúcia-lima para fazer chá... tudo criado no mosteiro...




Uma comunidade de apenas 4 irmãs, em que a mais nova tem 74 anos... (curioso, não?) e que se preocupam há 27 anos com os problemas da sociedade e gostam de os abrir à reflexão. Este ano debruçam-se sobre o "bom uso da crise" e organizam: http://www.monjasoplisboa.com/upload/programa_2011_2012.pdf



No outro lado da quinta, onde em tempos foi uma adega, abre-se um pequeno portão para a capela. De bancos corridos, flores coloridas e luz natural esta capela tem a particularidade de ter peças em madeira de eucalipto e bancos feitos pelas religiosas. Além disso a minha curiosidade aguçou-se ao ver uma cítara, ainda tocada por uma das irmãs, aquando das suas orações diárias.









Aqui fica a partilha de uma visita de trabalho que me valeu uns minutos de descanso e serenidade... :)


17.1.12

Intra...

Há dias assim... (já cantava a música) em que me sinto de outro planeta, em que apenas estou comigo... estarei a ficar louca?




Podem alguns pensar que sim mas eu acho que a cada dia que passa mais sinto falta de momentos de serenidade, em que me sento sem me levantar, em que vejo sem observar, em que sinto como se não sentisse... Difícil de explicar...

Hoje sinto-me "intra"... Poderia percorrer cada célula de mim (não serão muitas em 156cm...) e perceber que hoje estão ligadas sem se falarem, apenas sentem em conjunto. Sou extrovertida por natureza mas hoje há qualquer coisa de intra que falou mais alto...

Os dias de reboliço em que tenho vivido dão-me prazeres imensos de encontro, família, amizade, gratidão, sinceridade e outras maravilhas da vida... Foram dias envolvidos de cores, de crianças, de encontros e novidades, de celebrar a vida!


Hoje comecei por aí... celebrar e valorizar a vida... o que a vida me trouxe e com a qual me queixo tantas vezes... Porque sou uma privilegiada que a cada dia vê o mar e o rio, a luz de Lisboa e seus monumentos, o Cristo Rei que me abraça cada vez que o olho... os simples sorrisos e as palavras de quem conheço bem ou simplesmente o olhar de quem conheço mal.


Aos 17 dias de janeiro o sol brilha lá fora, o frio gela-me as mãos e eu, olho para dentro, como se o dia de hoje tivesse sido tirado para a introspeção... há dias assim, intra!


6.1.12

Ao início do ano...


Desejo um bom ano de 2012 a todos os que por aqui passam...


E início de ano para bom aveirense é logo começar com cavacas e muita animação: as festas de São Gonçalinho, padroeiro do bairro da beira-mar em Aveiro, estão à porta!


A cidade dos canais esquece a crise e pára por estes dias para ''ver cair do céu'' o pão duro envolvido em açúcar. São as cavacas que traduzem promessas.


O bairro da beira-mar já se encontra engalanado e pronto para receber os milhares de fiéis que acorrem a esta festa quer pela fé, pelo divertimento ou, ultimamente até, pelo estatuto que tem adquirido! Lá estaremos...



Neste dia de festança

Pra ti vai nosso carinho

Hás-de ir connosco na dança

Oh rico São Gonçalinho...

24.12.11

Um Santo Natal!

A todos os que hoje passam por aqui recebam os votos de um Santo e Feliz Natal junto das pessoas que mais amam... Que esta noite seja quentinha e preenchida de bons sentimentos! :)

23.12.11

Fleur? :)

Tenho a honra de vos anunciar que ontem, pelas 21h, o espetáculo ALEGRÍA, do Cirque du Soleil, iniciou comigo e com o Fleur a dançar em pleno pavilhão Atlântico.



Fleur, nuestro guía en el mundo de Alegría, es poco fiable, espectral e imprevisible. Con su cetro de luz se pavonea de un sitio a otro siguiendo la corriente a las presuntuosas viejas que lo rodean. Puede parecer divertido y animado, pero el narigudo y jorobado Fleur es en realidad celoso, mezquino e irascible. Es un personaje corrupto hasta la médula pero va ataviado con una vistosa chaqueta de cochero de terciopelo rojo, un sombrero negro de ala y un chaleco de pedrería que apenas logra cubrir la grotesca protuberancia de su barriga.



É uma figura interessante que logo no início aparece com a banda para silenciar o público e me convidou de imediato para dançar... Lá me levantei e sorri... Dancei e ri... Foi um momento hilariante, com muitos olhares posados naquele foco que nos iluminava...



Olhei bem de perto aqueles olhos expressivos, reparei bem na pintura e nas expressões tão simples e cómicas que fazia...


Na minha timidez mas ao mesmo tempo com vontade de saltar para o palco e me revelar... Foi um belo início do espetáculo... o bastão em mãos confiantes e a dança em nome próprio!



ALEGRÍA fica na história! E neste tempo de Natal foi a alegria que reinou...

22.12.11

Falta pouco...

... para ver e sentir ALEGRIA ... :)

O Natal não calha nada bem este ano...

Nem todos os dias gosto ou me revejo... mas hoje gostei de ler e aqui partilho:






O Natal este ano não calha nada bem. Acabámos de trocar de Governo, ainda ignoramos o que pensar dos novos ministros e mal começou o abalo da troika. Estamos desanimados, medrosos, indignados. Se nem sequer sabemos para que lado é o fundo do túnel, como ver se lá há luz? A noite dificilmente poderia estar mais escura, os campos mas frios, a miséria mais palpável. Como ter cabeça para tratar do Natal?


Foi precisamente assim há dois mil anos. Na época as coisas estavam bem piores que hoje. Também havia imensas dificuldades, os impostos dos romanos eram enormes e a situação económica desastrosa. Nem havia lugares na hospedaria. As condições dificilmente podiam ser piores.


Mas as condições nada têm a ver com o Natal. O Natal é outra coisa: «Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo”» (Lc 2, 9-10).


O mesmo anúncio é feito há dois mil anos, em tempos de paz e de guerra, em épocas de prosperidade e desgraça, em fases calmas e turbulentas. Há dois mil anos que o Natal calha sempre, e por isso calha nas situações mais variadas. Raramente calha bem. Mas o que interessa é que calhe.


O anúncio é sempre igual. A única diferença está na resposta. Sabemos o que aconteceu então: «os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém, para ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer”» (Lc 2, 15). Como será a nossa resposta este ano? Esta é a única dúvida que existe no Natal.


João César das Neves

18.12.11

(A)colher Advento


O frio tem-me tirado a vontade de digitar letras, palavras, frases, histórias... Mas o advento está a acabar e passo a passo chegamos perto da estrela que mais brilha!






(foto da baixa de Lisboa - Natal 2011)


Este tempo de preparação, como assim é chamado, este ano teve sabor agri-doce (será que já disse isto alguma vez aqui?)... O sabor da corrida dos dias, da falta de tempo, das crises que nos sufocam, as palavras que não foram ditas, os sorrisos que ficaram por dar torna tudo mais cinzento...

Mas o calor dos encontros e reencontros com que polvilhámos este tempo dão-nos a graça de vigiar, confiar, exultar, acolher nestas 4 semanas o Deus menino naqueles que são nossos amigos. Partilhámos momentos e alegrias, conversas e presentes (estarmos presentes foi o presente), ofereci presépios e chás de natal.

Acolhi palavras que me aproximaram do presépio, partilhas de quem espera um bebé como Maria há 2000 anos, velas solidárias que iluminam cidades, domingo de famílias, sorrisos de quem passa a vida a fazer sorrir...

Episódios que neste advento passaram a correr mas que aqui ficam eternizados e na minha memória encontram lugar. Porque afinal este tempo é para isso, uma conversão, uma nova versão de cada um...

Um tempo de paragem e de olhar para o lado... e saborear estes últimos dias que faltam para também eu, tu, nós... sermos presépio! :)

7.12.11

Foi duro ouvir...

Fim de tarde, já noite em Lisboa... O escuro do túnel do Metro envolvia cada carruagem bem preenchida no regresso a casa após mais um dia de trabalho...

Há gente de phones nos ouvidos, outros a passar os olhos por um jornal deixado no banco, alguns fingem não estar ali, outros suspiram por chegar ao fim da linha verde...

Ao longe na carruagem ouve-se uma voz sumida... Uma rapariga que não teria mais de 30 anos, envolta em roupas leves e de cachecol cor de laranja... As mãos eram magras, o rosto sumido por alguma dependência mais forte, as olheiras saltavam à vista e o cabelo rodopiava em cima da cabeça.


Percorria cada banco, levantava a blusa que trazia. Mostrava uma pequena barriga e dizia: "Estou grávida e tenho fome... se me puder ajudar..."





A frase ecoava por aquela carruagem, ecoou decerto nos ouvidos de todos... Muitas caras se viraram, a desconfiança pairava no ar e a tristeza no rosto da rapariga... Mães que iam no metro engoliam em seco, os homens olhavam com desprezo e ninguém foi capaz de lhe dizer ou dar nada...



E já na saída da carruagem a mesma rapariga grávida e toxicodependente virou-se para todos e dissem em voz bem alta: "E se eu fosse a Nossa Senhora que estivesse grávida, vocês ajudavam?"



Mais do que a situação ficou-me na memória o sorriso triste com que a rapariga tinha dito esta frase provocatória... Mas, neste advento, muitas são as vezes que me tenho lembrado dela... e de tantas na mesma situação!

10.11.11

"Pequenos nadas..."



"Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem"

Sérgio Godinho - A vida é feita de pequenos nadas

Hoje pela manhã os phones pela rádio trouxeram-me esta música: "A vida é feita de pequenos nadas... " Parece quase uma frase banal, das que se ouvem numa mesa de café ou num banco do autocarro mas, de facto, tenho de concordar e gostar dela!

Foi o tema perfeito para a decisão ser tomada... Andava aqui a "magicar" há tanto tempo, mas sem tempo para o fazer... e agora há que o inventar! Este blog, que andava pouco ou estava quase parado, vai renascer das "quase cinzas". Não será todos os dias, talvez nem todas as semanas, mas vai mudar um pouco... o estilo, o conteúdo, a graça... apenas não muda quem o escreve...

Ou mudará? Há quem diga que mudamos um pouco todos os dias... Mas serei eu que aqui vai escrever, desabafar ou relatar coisas... simplesmente coisas, conversas, episódios, momentos... "pequenos nadas"! :)

7.10.11

E... já atravessei a ponte...

Há mais de um mês que não vinha aqui a este espaço... Não me esqueci ainda das passwords e entrei à primeira! :)
Há quem diga que passei para a outra equipa, eu apenas digo que atravessei a primeira de muitas pontes num caminho em conjunto!

Numa nova fase da minha vida e depois de uma grande festa e 7 dias de pleno paraíso estou de volta ao mundo real...

Por aqui partilho um recorte do jornal Correio do Vouga desta semana, no âmbito da semana nacional da educação cristã e onde o tema central é a família!
Nesta nova fase pareceu-me fazer todo o sentido responder à questão: "a família tem futuro?" E aqui partilho...

2.9.11

O caminho continua...

Agora é tempo de atravessar a ponte! :)

11.8.11

JMJ? Eu vou...

Ora eu que pensava que não ia às JMJ 2011 enganei-me redondamente... :)

Sim, não vou estar lá fisicamente mas... já fui tendo uma ''boa dose'' de preparações nas paróquias, grupos e movimentos... Desde arraiais, a vendas, reuniões, vigílias, cantos de casamento e até festas de verão tudo serviu para motivar a juventude a ir até Madrid... e eu fui conhecendo estas realidades, escutei os testemunhos e vivi também um pouco cada minuto que me contavam dos preparativos embalados num estusiasmo salpicado de nervos...

E estive em "pré-jornada" no seminário de Alfragide, com um grupo de Brasília, onde pude conhecer vivências diferentes, uma nova evangelização e acima de tudo, uma motivação e alegria tão própria da juventude e do povo brasileiro...

Nesta foto fui apanhada com eles... :) E hoje, ''a malta jovem'' de Aveiro partiu rumo a Córdoba para depois seguirem o caminho de Madrid... Eu, cá de longe, vou acompanhando e sentindo a alegria através das notícias, do "faithbook" e das "mensagens recebidas" que vão chegando...
Afinal o longe faz-se perto...